Dezembro Vermelho: a importância de conscientizar os pacientes

Escolhido para representar a luta contra a Aids, o Dezembro Vermelho traz consigo campanhas de conscientização acerca desse grave assunto de saúde pública. Mas, as ações com foco na prevenção às IST’s não podem ficar apenas a cargo da mídia.
No país em que a cada 15 minutos uma pessoa é infectada com HIV, segundo o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado da Saúde e a Unaids, o papel dos médicos e profissionais da área torna-se ainda mais importante neste período.
Abordar o tema com os seus pacientes, a fim de esclarecer dúvidas e combater tabus, é tão crucial quanto as etapas de tratamento das doenças relacionadas à Aids. Para contribuir, trouxemos dados e informações que o ajudarão a mantê-lo devidamente inteirado.
Leia até o final!

Aids no Brasil: quatro décadas de lutas

Em média, 920 mil brasileiros vivem com HIV, de acordo com o Ministério da Saúde. O órgão, junto à Secretaria de Vigilância em Saúde, reportou que anualmente são registrados cerca de 40 mil novos casos.
Mesmo assim, quatro décadas após a descoberta da Aids no Brasil, por ora não há cura ou vacina para a doença que ainda é tratada como um tabu pela maioria da população.
Os preconceitos e receios que pairam sobre o tema são uns dos principais motivos que afastam os brasileiros infectados de sobreviver ou manter uma vida com qualidade. Em contrapartida, dos diagnosticados:

  • 77% fazem tratamento com antirretroviral;
  • 94% das pessoas que fazem o tratamento já não transmitem o HIV, por terem atingido a carga viral indetectável.

Em 2020, o Ministério da Saúde divulgou no Boletim Epidemiológico HIV/Aids estatísticas fundamentais para conhecer mais a fundo as características demográficas dos infectados. Dentre os indicadores estão:

  • 69,4% são do gênero masculino, ante 30,6% de mulheres diagnosticadas (26 homens para cada 10 mulheres);
  • 51,6% dos casos em homens decorreram de relações homossexual ou bissexual, contra 31,3% heterossexual;
  • 1,9% das infecções aconteceram em homens usuários de drogas injetáveis;
  • Referente às mulheres, 86,6% dos casos resultaram de exposição heterossexual e 1,3% após a injeção de drogas;
  • A faixa etária mais afetada inclui pessoas de 20 a 34 anos, sendo 52,7%.

Legislação garante direitos à PVHA

Devido ao enorme preconceito, como citamos anteriormente, os diagnosticados ainda sofrem com desafios do dia a dia, como para ingressar no mercado de trabalho e até mesmo levar uma vida “normal”.
Para se opor a essas situações, a Constituição brasileira garante obrigações e direitos da PVHA. A lei, criada em 1989, assegura a dignidade humana e o acesso à saúde pública para vulneráveis à discriminação. Conheça as condições e outros fundamentos aqui.

Como é feito o diagnóstico da Aids no Brasil?

Detectar o mais cedo possível a sorologia positiva para o HIV, possibilita realizar o tratamento no tempo ideal e, consequentemente, aumentar a expectativa e qualidade de vida da PVHA.
A coleta de sangue ou de fluido oral são as formas de diagnosticar a infecção. Em nosso país, existem exames laboratoriais e testes rápidos. Estes são realizados de forma gratuita pelo SUS e podem ser feitos anonimamente.
As IST’s são detectadas em, no mínimo, 30 dias após a exposição ao risco (janela imunológica) a partir da busca por anticorpos contra o HIV na coleta.

TARV gera benefícios e mantém a carga viral indetectável

Mesmo sem haver vacina ou cura para a doença que já matou mais de 650 mil pessoas em 2021* no mundo todo, o surgimento da terapia antirretroviral (TARV) contribuiu diretamente na redução da mortalidade das PVHA.
Quando os fármacos são utilizados corretamente, impedem a replicação do vírus (maneira com que a infecção é desenvolvida, junto à perda progressiva de células T CD4+) e debilitam a carga viral plasmática do HIV, chegando em níveis indetectáveis após 6 meses.
A adesão ao TARV em qualquer estágio clínico, principalmente assim que detectado, proporciona maior sobrevida aos pacientes, evita danos/comorbidades causados pela inflamação sistêmica e reduz custos com tratamentos para outras enfermidades.

Leia mais em: A importância de manter a carga viral indetectável em pessoas vivendo com HIV/aids.

O que é o Dezembro Vermelho?

Trata-se de uma ação alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), estendida durante todo o mês para dar ênfase à prevenção.
A data foi estabelecida internacionalmente em 1987, por decisão da Assembleia Mundial de Saúde com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), e a Campanha Dezembro Vermelho foi instituída no Brasil pela Lei nº 13.504/2017
Outros objetivos da campanha referem-se à proteção dos direitos dos infectados com HIV, reiterando assim a necessidade de tolerância e o apoio incondicional de profissionais da saúde e pessoas próximas.
O mês da cor vermelha também tem o propósito de desmistificar alguns tópicos. Como por exemplo as situações em que não ocorre a transmissão da Aids:

  • Beijo na boca, abraço ou aperto de mão;
  • Suor ou lágrima;
  • Uso de piscina ou banheiro;
  • Uso de talheres ou copos;
  • Uso de sabonete, toalha ou lençol;
  • Relação sexual com camisinha.

A importância de conscientizar os pacientes

Aos profissionais e médicos de quaisquer áreas, principalmente infectologistas, cabe reforçar aos seus pacientes as medidas preventivas, incentivar a testagem e os tratamentos e cuidados a serem tomados após o diagnóstico.
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*Fonte: Unaids

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