Artigo

Tuberculose e coronavírus: o que sabemos até o momento?

São Paulo, 7 de junho de 2021
 

Por conta da COVID-19 causar falta de ar nas pessoas que a contraem, é muito comum associarem tuberculose e coronavírus. Além disso, outras causas que a COVID-19 pode trazer, antes de levar ao óbito, é a pneumonia viral e muitas outras comorbidades. Por isso, tuberculose e coronavírus podem indicar um cenário mais pessimista.

Desde a detecção da COVID-19, no final do ano passado, houve alguns avanços. Um dos exemplos foi o teste rápido, o comprimido de 300mg de isoniazida, a dose fixa indicada, entre outros. Porém, essas determinações foram insuficientes para que houvesse um avanço no controle da COVID-19.

Para o caso da tuberculose, doença que foi fatal por anos, é considerada ainda negligenciada. Ou seja, existe pouco estímulo ao investimento da indústria para a descoberta de novos medicamentos e diagnósticos.

Veja abaixo os possíveis riscos que o coronavírus pode trazer para pessoas com tuberculose.

Quais os riscos da tuberculose e coronavírus?

É plausível que a infecção ocorrida por Mycobacterium tuberculosis (MTB), o patógeno causador da tuberculose, infecte de maneira indiscreta cerca de 25% da população do mundo. Por isso, é considerado um fator de risco para que ocorra a infecção por SARS-CoV-2 e ainda a pneumonia mais grave por COVID-19, de acordo com estudo realizado na China.

Ainda, pelo estudo divulgado, a infecção do causador da tuberculose aconteceu de maneira mais comum comparado a outras doenças, como por exemplo a comorbidade. No caso de diabéticos, 25%; hipertensos, 22%; doença coronariana, 8%; e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), 5%.

Realizando a comparação com o estado da infecção pelo MTB e os casos que ocorreram de pneumonia pelo novo coronavírus com gravidade mais leve ou moderada e ainda severa ou crítica, há uma grande diferença.

A infecção pelo MTB parece menor em casos de primeiro grau, apresentando 22%. Já no segundo, a porcentagem chega a 78%, com uma diferença de estatística de p=0,005. Essas considerações preliminares indicam que é preciso avaliar se realmente a infecção pelo material genético da tuberculose é um fator de risco para o coronavírus.

Até onde tudo indica, a meta da Estratégia pelo Fim da Tuberculose não vai se concretizar no Brasil. O proposto era que fosse reduzida a mortalidade por tuberculose até 2035 para a marca de 1 óbito a cada 100 mil habitantes.

O que se sabe sobre a origem do coronavírus?

Mais de um ano após a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) e até o momento surgem algumas dúvidas. Para descobrir qual o surgimento do vírus, a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou uma equipe de pesquisadores para a cidade de Wuhan, na China.

De acordo com alguns membros da equipe, é necessário rastrear os principais elementos genéticos da COVID-19 em cavernas de morcegos. O pesquisador alertou que esse tipo de trabalho é essencial, pois vai ajudar a encontrar a fonte mais provável em um morcego. Contudo, identificando as fontes do vírus considerado letal, o contato com a espécie de animal será menor.

Na busca pela cura do novo coronavírus, em 2020, foi encontrado um morcego infectado com a COVID-19. Porém, após os devidos testes, foi detectado que o animal não possuía o mesmo vírus do coronavírus.

Além disso, a OMS apontou que o vírus que estava circulando em Wuhan, na China, poderia estar em fluxo por um período maior.

Apesar disso, até o momento, não há indícios que o vírus tenha surgido realmente dos morcegos. O que se sabe até o momento é que não se criou intencionalmente o vírus em laboratório.

Dados quantitativos da tuberculose e coronavírus

Segundo uma publicação divulgada pelo Ministério da Saúde, no ano de 2019, a tuberculose sofreu um aumento de incidência em território nacional.

Os estados que mais contribuíram foram Rio de Janeiro e Amazonas, apresentando duas das maiores taxas de ocorrência de tuberculose.

Observando o crescimento do diagnóstico da doença, no estado do Amazonas, houve um aumento da taxa de 68,3% em 2018 para 72,4% no ano de 2019. Por isso, a incidência subiu de 74,1 para 72,9 casos a cada 100 mil habitantes.

Já no estado do Rio de Janeiro não houve grandes alterações: o percentual se manteve em 61,7%. Além disso, a incidência evoluiu de 63,5 para 66,3 casos para 100 mil habitantes.

Com isso, o aumento da incidência de tuberculose nos estados do Brasil, juntamente a uma elevação da densidade da população, representa um cenário que viabiliza prever possíveis dificuldades no combate à COVID-19.

Isso ocorre, principalmente, nos locais de grandes cidades, onde existe um subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Possíveis medidas para conter a COVID-19

Para fazer com que haja achatamento da curva da procura por atendimento hospitalar crítico na pandemia de coronavírus, são necessárias algumas providências.

Dentre as principais medidas de combate à COVID-19, podemos destacar:

  • Higienização das mãos com água e sabão ou álcool 70%;
  • No transporte, manter as janelas sempre abertas para o ar circular e evitar tocar em locais que outras pessoas possam ter tocado;
  • Distanciamento social é essencial, portanto, ficar em casa sempre que possível é um passo importante no combate à Covid.

Pessoas com tuberculose possuem uma comorbidade considerada perigosa para que haja evolução do quadro clínico do novo coronavírus.

Em outras palavras, a tuberculose provoca problemas pulmonares capazes de fragilizar o indivíduo. Ao ser infectado pela COVID-19, uma piora no quadro pode surgir – dependendo do caso, infelizmente, evoluindo para óbito.

Por isso, para amenizar esse efeito, manter pessoas com tuberculose isoladas é uma medida efetiva para fazer com que se controle as incidências de casos mais graves do coronavírus. Por consequência, o índice de internações no hospital teriam um maior controle.

Até mesmo com as medidas sanitárias de combate à COVID-19, torna-se assegurado o acesso de pessoas que possuem tuberculose e necessitam de tratamento. Embora os estudos ainda sejam preliminares, é recomendado que haja o afastamento social entre as pessoas infectadas com MTB.

Tuberculose e coronavírus não são doenças necessariamente conectadas, mas merecem atenção da comunidade médica para encontrar as melhores abordagens de diagnóstico e tratamento.

Se você atua com o manejo de pacientes acometidos por doenças infectocontagiosas, como é o caso da tuberculose, participe do V Simpósio Infecto que ocorrerá nos dias 15 e 17 de junho. Convide seus colegas a participarem também. Estar informado salva vidas.