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Tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta

São Paulo, 26 de maio de 2021
 

A esclerose múltipla, ou EM, é uma doença provavelmente auto imune, inflamatória e crônica do sistema nervoso central, que pode ser causada pela genética ou fatores ambientais. Uma das abordagens possíveis é o tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta, que tem papel modulador na resposta inflamatória desencadeada pela imunidade celular no sistema nervoso central.

O cenário da esclerose múltipla

No Brasil, há mais de 35 mil pessoas diagnosticadas com a doença.

O sistema imunológico ataca e deteriora a chamada bainha de mielina, que é uma capa protetora de tecido adiposo, ou seja, o tecido formado por gordura que protege as células nervosas.

As células nervosas são as que partem de nosso cérebro e transmitem mensagens para o restante do nosso corpo. Uma vez danificados, axônios têm comprometidas suas funções de envio de sinais para os neurônios, comprometendo a principal função do sistema nervoso central.

A esclerose múltipla afeta o SNC e também a medula espinhal.

Acontece uma falha do sistema imunológico, que passa a confundir células que, na verdade, são completamente saudáveis, com células invasoras que, em sua leitura, estariam ali de forma prejudicial.

A esclerose múltipla é considerada uma ocorrência rara, pois atinge 30 em cada cem mil indivíduos em todo o mundo. Sua incidência é maior entre as mulheres com idade entre 20 e 40 anos de idade, mas, não sendo uma regra absolutamente rígida, podendo atingir qualquer pessoa entre 15 e 60 anos.

No mundo, mais de 2 milhões de pessoas constam como diagnosticadas com a doença.

O diagnóstico da EM

O médico neurologista, que é o indicado para conduzir o processo de diagnóstico, poderá solicitar um exame de sangue, visando checar se os sintomas não seriam de outra doença, fazendo confusão com a esclerose múltipla.

O neurologista poderá pedir também a medição da velocidade dos sinais que estão, em cada caso em particular, percorrendo o caminho ao longo dos nervos.

Um exame de liquor poderá dar ao médico a possibilidade de verificar o fluído que sai do cérebro para a medula espinhal, avaliando aqui qual o grau de comprometimento da invasão que pode estar ocorrendo entre o sistema imunológico e o sistema nervoso central.

Entre todos, no entanto, o exame considerado como o que dará o diagnóstico definitivo é o de ressonância magnética de imagem, RMI.

Seu resultado poderá proporcionar ao paciente o conhecimento precoce da doença, dando a oportunidade de iniciar de imediato o tratamento, com maiores chances de um controle efetivo de seus sintomas.

Os sintomas

Com o sistema imunológico atacando o sistema nervoso central, um dos primeiros sintomas a ser sentidos pelo paciente será com relação à visão.

A maioria inicia suas queixas falando dos olhos. Isto devido ao ataque ocorrer no cérebro, afetando quase que de imediato os nervos óticos. Na maioria dos casos, a queixa recai apenas sobre o mal funcionamento de um dos olhos, mas, em casos mais raros, os dois olhos podem ser afetados.

Em determinados casos, pode ocorrer que o paciente sofra com visão dupla ou com movimentos oculares de forma involuntária.

A importância de se consultar um médico recai também no fato de que os sintomas podem desaparecer momentaneamente, melhorando por sua própria conta.

Pode ser que se passem meses para que voltem a ocorrer, podem ocorrer de maneira diferente e, nem sempre, as pessoas poderão relacionar de imediato um sintoma com o outro, relacionando-os com a mesma doença.

Surgem outros sintomas, desta vez, de forma mais incomum, tais como sensação de ter levado um choque elétrico e sensação de entorpecimento, geralmente no rosto. Comichão grave, fadiga e cansaço extremo mesmo não tendo feito nenhum esforço também podem surgir.

Calor intenso, problemas para caminhar em ritmo normal, problemas de equilíbrio, vertigem, dificuldade de pensar ou raciocinar com clareza, falta de controle da bexiga e do intestino e dores. Esses sintomas foram reportados com menor incidência, mas apareceram nos relatórios e pesquisas sobre a doença.

Tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta

O questionamento que se faz antes de qualquer outra coisa é: haveria como evitar a doença?

A resposta é que se sabe que a doença causa um dano neurológico, mas, ainda não são conhecidas, com certeza, suas causas. Assim sendo, não há como haver prevenção – pelo menos, até o momento.

Não há uma cura definitiva para a esclerose múltipla, mas a doença, por si, não mata e pode ser controlada, dando aos portadores do problema a oportunidade de levar uma vida praticamente normal, trabalhando e exercendo todas as atividades que sempre executaram, sem grandes problemas.

A principal forma de tratamento consiste na administração de imunossupressores, medicamentos que eliminam o funcionamento normal do sistema imunológico.

Quando agentes externos como vírus, bactérias, tumores e parasitas tentam atacar nosso corpo, a resposta imediata vem através dos chamados interferons. Os interferons alfa, beta e gama são uma resposta natural do nosso organismo a essas ameaças – em forma de proteínas.

O interferon Beta é um desses medicamentos e tem, por parte dos pacientes, um alto nível de satisfação com os resultados obtidos.

Seu uso é altamente eficaz tanto na redução dos surtos quanto no que diz respeito à progressão mais lenta da doença.

O tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta tem como objetivo principal fazer com que a atividade da doença seja drasticamente reduzida, impedindo que o paciente venha a se tornar incapaz e que a enfermidade deixe de progredir.

O uso do remédio deve ser semanal, mas, dependendo do caso, pode ser avaliada a administração em doses maiores, dependendo do estágio de evolução da doença.

Custos do tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta e outros imunossupressores

Os custos com o tratamento por interferon Beta, assim como com qualquer outro imunossupressor, são altíssimos. Caixas com 12 seringas de 22 mcg podem custar por volta de R$11.900,00, enquanto caixas com 12 seringas de 44 mcg custam mais de R$13.000,00.

A boa notícia é que o SUS, Sistema Único de Saúde, faz a distribuição gratuita do medicamento aos mais de 16 mil pacientes cadastrados na instituição. Dessa forma, o tratamento de esclerose múltipla com interferon Beta e outros imunossupressores se torna mais acessível à população.