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Estudo indica que antivirais de ação direta reduzem risco de morte em pacientes com hepatite C crônica

São Paulo, 18 de junho de 2021
 

Os antivirais de ação direta têm sido uma classe de medicamentos usada eficientemente contra infecções virais. A maioria dos antivirais em uso atuam contra o HIV, o influenza A e B e o vírus da Herpes. Recentemente, a Hepatite B e C passou a fazer parte do horizonte de alcance, com estudos conduzidos no Brasil. Indicativos de funcionalidade especial para pacientes com hepatite C crônica são uma injeção de ânimo no combate ao vírus que, em suas variadas formas, tem ceifado muitas vidas.

Vírus mortal

O vírus HCV teve identificação em 1989.

A hepatite é a segunda maior doença de infecção letal, depois da tuberculose.

As causas provêm dos vírus, mas também é desencadeada por inflamações no fígado, ocasionada por diversos agentes: medicamentos, consumo exagerado de álcool e drogas, ou seja, substâncias agressoras. Não apenas agentes externos podem causá-la, como também doenças autoimunes, genéticas e de metabolismo.

Calcula-se que em torno de 500.000 pessoas no Brasil não saibam ter o vírus.

Estima-se que, no mundo, 70.000.000 de pessoas tenham contraído infecção por hepatite, com 1,7 milhão de mortes anuais. Do montante de infectados, 1% dos enfermos estão no Brasil, passando de 1,5 milhão de infectados. É também no país a maior causa de transplante de fígado entre pessoas da terceira idade.

Ainda, 70% os óbitos registrados decorrentes de hepatite se causam pela variante C. Em seguida, os casos de hepatite B preenchem 21,8% dos casos.

Variantes

Através do teste imuno-rápido HCV, gratuitamente disponível no SUS, é possível saber a incidência do vírus da variante C no corpo.

Existe a recomendação para quem nasceu antes de 1993 que faça o teste para descobrir se não é portador do vírus da hepatite C. Isto porque, até esta data, não existia testagem obrigatória nos bancos de sangue.

Hepatite A

Na Hepatite A, de ocorrência menor, o enfermo costuma se curar e imunizar normalmente no período de uma a duas semanas. É receitado repouso, abstenção alcoólica e dieta.

É causada pela carência de higiene, saneamento ou transmitida por contato sexual. Pode provocar dores abdominais, diarreia, vômito, urina escura, dores pelo corpo e mal-estar. Possui vacina, distribuída gratuitamente a crianças e pessoas do grupo de risco.

Hepatite B

É transmitida pelo sangue, na forma de compartilhamento de seringas, lâminas de barbear, agulhas, alicates para unha e outros objetos cortantes. Também pode ocorrer por transmissão vertical (de mãe para filho), ou por relação sexual desprotegida. Pode ocorrer de forma aguda (sintomática) e mesmo evoluir para crônica.

É também inclusa pelo seguro do SUS, cuidando para que não evolua para um quadro de câncer no fígado ou cirrose. Utilizam-se amplamente os antivirais para esta intervenção. Também há vacina, para crianças e adultos.

Hepatite C

Transmitida do mesmo modo que a variante B, também tem respaldo do SUS, que define o antiviral pelo genótipo do vírus e estado do fígado.

O tratamento atinge 95% de cura e é essencial, pois esta variante não possui vacina. A melhora para os quadros de hepatite C crônica com os antivirais virá em seguida.

Hepatite D

A variante “Delta” também pode evoluir para crônica e se transmite do mesmo modo que a maioria: compartilhamento de sangue e mucosas. Necessita-se a presença do vírus B no hospedeiro para haver contaminação.

O tratamento leva de três meses até um ano e, como não possui vacina, se previne não contraindo a variante B.

Hepatite E

Caso raro no Brasil, é tipicamente assintomática, mas quando ocorre, apresenta os mesmos sintomas das anteriores.

Também não possui vacina, sendo indicado, do mesmo modo, repouso e dieta.

Ainda existem as variantes F e G, sendo a primeira não detectada ainda em humanos, e a variante G se encontrando em fase de análise, com poucas ocorrências. Mas já se entende ser uma mutação da variante C.

Os antivirais salvando casos de hepatite C crônica

A hepatite C crônica se chama assim após seis meses de enfermidade, como evolução em 75% das pessoas que iniciaram com hepatite aguda. Infelizmente, os sintomas só costumam aparecer quando o fígado já está seriamente danificado.

Uma atualização de como gerenciar pacientes com hepatite C crônica que foram curados pelo tratamento antiviral foi recentemente lançada pelo Instituto Americano de Gastrenterologia (AGA), de onde se define para 12 semanas após o término do tratamento o tempo necessário à cura considerada.

O RVS, ou resposta virológica sustentada, entende um risco de recidiva inferior a 1%, praticamente uma cura permanente.

Além da cura virtual, entende-se um processo de remissão de câncer no fígado, o mesmo vale para alterações hepáticas, regressão da fibrose e cirrose, entretanto ainda é possível que se apresentem taxas mais elevadas de complicações que se relacionam à hepatite do que um indivíduo “são”.

Certas lesões no fígado, por poderem permanecer, ainda devem suscitar um amplo acompanhamento, com orientações no sentido de prevenção de reinfecção e hábitos.

Estudos com pacientes com hepatite C crônica

Muitos estudos visam atingir as metas de RVS, como um estudo coordenado em 40 localidades de países diferentes.

Para 146 pacientes com cirrose compensada avaliados pelo estudo, obteve-se uma taxa de sucesso de 99% após 12 semanas.

Outro, sobre uso de antivirais de ação direta (AAD) para a glomerulonefrite, que é a inflamação no glomérulo, constituinte do rim, atingiu resultados concludentes. A saber, os casos estudados estavam associados ao HCV (hepatite C). O estudo afirma a interrupção da evolução de pelo menos 20 anos de doenças hepáticas e renais.

No mesmo estudo, se descrevem, citam e compilam outros casos para fins de associação, relatando-se grande taxa de RVS.

Relata-se inclusive – aqui, apenas para ilustrar o artigo –, a funcionalidade de um experimento com antivirais usados para HCV contra o coronavírus, interrompendo o processo de sintetização do material genético do vírus.

Considerações finais

Pacientes com hepatite C crônica, em sua luta pela vida, estão mobilizando muitos esforços, que abrem campos de pesquisa para possibilitar muitas outras curas. Inflamações são ocorrências comuns para o tema “vírus”, assim, a interdisciplinaridade é grande e os esforços coordenados entre nações e ciências têm muito a fazer pelas pessoas.

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