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Como orientar pacientes com depressão durante o isolamento social?

São Paulo, 29 de junho de 2020
 

Conforme um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o número de pacientes com depressão durante o isolamento social está aumentando. Assim sendo, esse artigo visa instruir para que os devidos cuidados e precauções sejam tomados de forma simples e efetiva.

Pacientes com depressão durante o isolamento social

Por conta da pandemia do novo coronavírus, uma série de cuidados está sendo tomada pelos órgãos públicos de saúde e também pelos governos estaduais.

Embora extremamente necessários, esses cuidados estão refletindo na saúde mental da população, além dos impactos econômicos.

Segundo a pesquisa feita pela UERJ com cerca de 1,4 mil pessoas em 23 estados diferentes, a depressão aumentou 90% em um período menor que um mês. Inegavelmente, o principal vilão que está exponenciando os casos é o estresse.

Além da depressão, outros problemas também estão sendo potencializados nesse período de isolamento por conta da COVID-19, como a síndrome do pânico, ansiedade e até mesmo casos de suicídio.

Dessa forma, a procura por profissionais como psiquiatras e psicólogos está aumentando.

Outro ponto mostrado por esse estudo é que as mulheres possuem maior propensão para desenvolver ansiedade e estresse nessa pandemia, principalmente as que permanecem trabalhando.

Isso porque se somam as pressões do trabalho externo e dos cuidados domésticos e familiares.

Além disso, podem influenciar negativamente coisas como maus hábitos alimentares, doenças que já existiam e a necessidade de se expor para trabalhar.

O estudo foi encabeçado pelo professor Alberto Filgueiras, em parceria com um médico americano.

Já no caso da depressão, os fatores críticos são a idade avançada, a presença de pessoas idosas e ausência de crianças no ambiente familiar e também o nível de escolaridade escasso.

Assim sendo, deve-se sempre buscar formas de aliviar a tensão e não gerar mais ansiedade.

Cuidados

A pesquisa do professor Filgueiras igualmente aponta que casos em que foram adotadas terapias à distância apresentaram menor índice de estresse e ansiedade.

Semelhantemente, as pessoas que praticaram exercícios aeróbicos também demonstraram menor estresse.

Em contrapartida, os entrevistados que ficaram no sedentarismo ou que só fizeram atividades de força apresentaram maior estresse e ansiedade.

Dessa forma, pode-se afirmar que a atividade aeróbica é um ponto positivo no enfrentamento da pandemia.

Assim como os exercícios e as psicoterapias online, também é importante evitar mudanças radicais de comportamento.

Dessa maneira, evita-se que seja gerado mais ansiedade e angústia. É importante respeitar os próprios limites.

Com a facilidade que existe hoje em propagar informação, é importante filtrar aquilo que se vê e ouve, já que a desinformação é igualmente disseminada.

É válido lembrar de verificar fontes e garantir a confiabilidade de notícias que podem circular em redes sociais.

Absorver e disseminar informações trágicas pode ser muito prejudicial para o bem-estar psicológico.

É necessário informar-se, entretanto, é muito importante focar em atividades e interações que gerem alegria e descontração. O bom senso é a regra.

Aconselhamento

Além de filtrar a intensa onda de informações que bombardeiam os olhos e ouvidos, é igualmente importante tomar outros cuidados.

A fim de aliviar a ansiedade, atividades como a leitura e até mesmo assistir filmes são indicadas.

Ficar o tempo todo lendo e ouvindo notícias sobre a pandemia só gera mais ansiedade, por isso, é necessário aliviar a tensão.

Assim sendo, os efeitos da descontração diária poderão ser sentidos pelas pessoas logo que o hábito for incluído no dia a dia.

Da mesma forma, os exercícios aeróbicos são bastante indicados, visto que ajudam na eliminação do estresse e da ansiedade.

Além disso, os exercícios também contribuem para a qualidade do sono, autoestima e melhora na concentração.

Já que o isolamento exige que as atividades sociais sejam drasticamente diminuídas, é aconselhado que as pessoas utilizem da tecnologia para manter a interação.

Dessa forma, ameniza-se o distanciamento, principalmente com chamadas de vídeo.

Em casos de depressão e ansiedade, é sempre aconselhado a ajuda médica. Se uma pessoa já sofre anteriormente à epidemia, o cuidado deve ser redobrado.

Profissionais da psicologia e psiquiatria são indicados para ajudar nesse momento.

Como reconhecer os sinais?

Além das pessoas que já sofrem com problemas de ansiedade e depressão, a expectativa é que esses problemas aumentem significativamente. Desse modo, é importante atentar para o comportamento dos familiares e pessoas próximas.

Alguns sinais podem ser demonstrados e devem ser entendidos como um alerta. Qualquer mudança brusca nos hábitos e comportamentos pode significar que algo não está certo.

Assim sendo, o diálogo pode mostrar ainda mais importância.

Se uma pessoa perder o interesse por coisas que ela gosta, dormir excessivamente ou mudar os seus hábitos alimentares de forma brusca, isso pode indicar depressão.

A ajuda de um profissional da saúde pode evitar que maiores problemas venham a acontecer.

O período de quarentena existe para que a pandemia seja controlada, mas isso não significa que as pessoas devam se isolar do mundo.

O distanciamento social pode ser amenizado através da internet e tecnologia, dessa forma, diminuindo o sentimento de solidão e ansiedade.

Os profissionais da saúde da linha de frente no combate à COVID-19 também são seres humanos, e o desgaste pode acometê-los igualmente.

Desse modo, a atenção sobre essas pessoas também pode colaborar muito para evitar maiores transtornos.

Estimativas apontam para o aumento da depressão nos próximos meses

Estima-se que mais casos de depressão e ansiedade apareçam ao longo da pandemia, inclusive uma onda de estresse pós-traumático nos profissionais da saúde.

Conforme Marcelo Cetkovich, do INECO, os efeitos diversos sobre a saúde mental virão por vários motivos.

Dentre esses motivos, podemos citar o medo, a preocupação financeira, o isolamento social e o efeito gerado pelas notícias falsas ou assustadoras.

Dessa forma, a demanda por tratamentos alternativos como a telemedicina e terapia online aumentarão.

É importante que pais e parentes estejam atentos para atuarem como coterapeutas, para que assim possam amenizar os efeitos da pandemia.

Da mesma forma, o uso de psiquiatras diretamente no tratamento dos profissionais da saúde pode ser adotado.

Assim sendo, os pacientes com depressão durante o isolamento social precisam ser devidamente orientados a buscarem o atendimento profissional. Do mesmo modo, é importante que sejam seguidas todas as instruções visando amenizar os impactos da pandemia.