Artigo

Um estudo sobre biomarcadores precoces de necrose miocárdica

São Paulo, 28 de maio de 2021
 

Realizado pela Universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, um estudo sobre biomarcadores precoces de necrose miocárdica buscou entender como esses elementos interferem na saúde do paciente e no cenário de um modo geral.

O infarto agudo do miocárdio (IAM)

Considerado um grave problema de saúde pública, o infarto agudo do miocárdio tem tido, nos últimos tempos, uma incidência considerável sobre a população.

A OMS, Organização Mundial da Saúde, divulga que mais de 17 milhões de pessoas morrem no mundo, todos os anos, vítimas de doenças cardiovasculares. No Brasil, o número de casos anuais chega a 360 mil.

Deste total, mais de 70 mil brasileiros são as vítimas, a cada ano, do IAM, infarto agudo do miocárdio. Uma grande ocorrência deste tipo de acontecimento, com um grande número de mortes como resultado.

O miocárdio morre e surge a necrose. Esta situação é irreversível, provocada por uma isquemia, a falta prolongada de oxigênio no músculo cardíaco. O corpo dá sinais de que isto está para acontecer e esses sinais podem chegar dias ou até semanas antes do processo evoluir por completo, antes de acontecer de fato.

Para considerar que o paciente está apresentando um quadro de infarto agudo do miocárdio, duas de três condições têm que estar presentes. São elas:

  • Clínica típica, com o paciente apresentando dor precordial prolongada e todos os sintomas ou a maioria deles;
  • Apresentação de um eletrocardiograma visivelmente alterado;
  • Dosagem sérica das enzimas apresentando uma constante evolução.

Os biomarcadores precoces de necrose miocárdica

Qual o motivo da busca por biomarcadores precoces de necrose miocárdica? Busca-se um biomarcador ideal por uma série de problemas inerentes à doença, tais como (mas não somente):

  • As múltiplas manifestações de sintomas com possibilidade de serem sintomas de outras enfermidades;
  • A falta de estar claramente especificada ou inexistente;
  • A falta de detecção pelo eletrocardiograma que, por incrível que possa parecer, pode deixar de detectar até 50% dos casos, se feito apenas uma vez, durante os exames, o que pode induzir a um diagnóstico equivocado.

Atualmente, o uso das troponinas cardíacas como auxiliar no diagnóstico tem sido a forma preferida, entretanto, desde 1970, quando se descobriu a possibilidade de utilização dos biomarcadores para o diagnóstico do infarto agudo do miocárdio, se vem buscando novos marcadores, com maior sensibilidade e mais adequados para cada situação.

Na verdade, já existem inúmeros outros biomarcadores disponíveis.

A evolução

Desde as primeiras utilizações, muito se evoluiu no campo dos biomarcadores, bem como o infarto agudo do miocárdio evoluiu em sua forma de ser identificado, diagnosticado e monitorado. Mesmo assim, um biomarcador ideal, confiável e seguro ainda é uma busca constante.

Quanto aos marcadores, cada dia surgem melhores que, aos poucos, vão substituindo aqueles que estão ficando obsoletos e que acabam caindo em desuso.

Em busca de um biomarcador ideal

A síndrome coronariana aguda abrange uma série de distúrbios cardíacos, sendo a principal causa da necrose cardíaca e que pode levar ao infarto do miocárdio. Mas, temos que lembrar que outras causas podem estar associadas ao evento e que provocam a isquemia miocárdica, levando ao infarto do miocárdio.

Se falássemos a respeito do biomarcador ideal, aquele que seria o mais preciso e de fácil execução, teríamos que considerar que seria aquele que pudesse apresentar brevemente a alteração de seus valores e que apontasse especificamente o miocárdio como sendo a fonte das alterações.

Muito está sendo pesquisado a respeito. O método para a elaboração da pesquisa mencionada no início foi a concentração de busca de informações nos artigos científicos de marcadores biológicos comparados à sua possibilidade de aplicação na necrose e infarto agudo do miocárdio.

Vejamos algumas características e vantagens de uso de dois tipos de marcadores que temos no momento:

  • Troponinas cardíacas, cTn: serão usadas para verificar a lesão que pode ter sofrido o tecido miocárdico. O procedimento evoluiu através de vários ensaios que foram constantemente revisados. Dispõe de versão sensível e de alta sensibilidade e, atualmente, é considerada o procedimento ouro e que cumpre grande parte das exigências para ser tido o biomarcador ideal;
  • Creatina quinase fração MB, (CK-MB): sua melhor propriedade é o fato de que os exames já podem detectar elevações a partir de 4 horas após o início dos primeiros sintomas reportados pelo paciente. No entanto, o recomendável é que os exames sejam feitos em série e em um período de oito a doze horas para que se possa adquirir uma sensibilidade maior.

Se fizermos uma comparação entre os dois biomarcadores, poderemos notar que, na troponina, os índices permanecem elevados por mais tempo após o infarto do miocárdio. Esse biomarcador pode detectar pequenas lesões, pequenas necroses e tem muita sensibilidade.

Quanto à creatina quinase fração MB, suas propriedades apresentam menor especificidade, visto que pode ser encontrada em outros tecidos além dos tecidos cardíacos, mas, na falta da troponina, além de casos de reinfarto, pode ser usada com muita eficácia.

Os dois biomarcadores aparecem aqui em destaque por serem os mais usados no momento e, ainda que a troponina possa ser a ideal no uso e tenha substituído a creatina quinase fração MB, ainda se usa a creatina na falta de troponina, com excelentes resultados.

Outros biomarcadores são:

  • Peptídeos natriuréticos
  • Proteína de ligação de ácidos graxos-cardíaca, H-FABP
  • Albumina modificada com isquemia

Sem a ajuda de outros métodos, o biomarcador ideal teria que apresentar muitas características próprias para que fosse considerado confiável e pudesse levar ao diagnóstico correto.

Conclusão

Devido ao longo intervalo entre o começo do estímulo e o início da reação ou alteração laboratorial a ele associada, chegou-se à conclusão que não há um marcador que possa oferecer um resultado perfeito para uma conclusão diagnóstica da doença.

Levando em consideração o alto índice de ocorrências no mundo inteiro, se faz necessário e urgente que mais biomarcadores sejam pesquisados e descobertos para promover uma sensível baixa nesses números assustadores.

Hoje não há um biomarcador que leve ao diagnóstico sem ter que juntar as informações a respeito do paciente, ou mesmo sem ter que conviver com a desconfiança do exame único de eletrocardiograma.

O que deveria estar à mão dos profissionais de saúde seriam biomarcadores precoces de necrose miocárdica de rápido resultado, apresentando o miocárdio como o elemento em análise e, claro, com conclusão segura, confiável e realmente definitiva. Ainda há, portanto, muito o que evoluir nesse sentido.