Artigo

Benefícios da dieta do mediterrâneo na prevenção da síndrome metabólica

São Paulo, 2 de agosto de 2020
 

A dieta do mediterrâneo, ou dieta mediterrânea, tem sido a promessa de uma dieta saudável e eficaz.

O motivo é que não exige uma restrição absurda de alimentos, fazendo apenas com que o paciente se alimente de forma correta, sem exageros e com a comida certa para o seu corpo.

Com base nisso, a médica especialista em Endocrinologia e Metabologia, Dra. Tatiana Denck, explicou mais sobre a dieta, quais seus benefícios, como realizá-la e quais os maravilhosos efeitos que agrega ao organismo.

Como funciona a dieta mediterrânea?

“Antes de tudo, é importante mostrarmos que a dieta do mediterrâneo tem provado contribuir muito para com a saúde da população geral, porque é uma alimentação baseada em alimentos pouco ou nada industrializados, preferencialmente grãos, cereais, muita verdura, frutas e legumes.

Uma base dessa alimentação são também as fibras. A dieta principalmente contém uma quantidade razoável de azeite de oliva. Então, ela preconiza muito essa questão das oleaginosas como a base da pirâmide.

Se formos explicar melhor, a base da pirâmide da dieta do mediterrâneo são as verduras, frutas, legumes, fibras em geral, grãos integrais e o azeite de oliva.

Numa segunda porcentagem um pouco menor, surgem então o leite e derivados, que são proteínas de origem animal, mas preferencialmente desnatados para conter menos gordura. Quanto menos gordura, melhor.

Carnes brancas, de preferência peixe. Tem até indicação de ingerir também, mas não em grandes quantidades, e evitar carne vermelha.

A carne vermelha preconiza em torno de duas ou, no máximo, três vezes por semana e sempre carne magra. Evitar sempre a carne gorda, como costela, cupim, picanha.

Também é recomendado reduzir a ingestão de alimentos industrializados, gordura trans, como enlatado, embutido, salgadinho de pacote e bolacha.”

É uma dieta rígida?

“Não, até que não é tão rígida. Porque ela é mais voltada a escolhas saudáveis e naturais. Desse ponto de vista, ela é mais flexível.

Mas se for parar para pensar naquele indivíduo que está acostumado a comer muito alimento industrializado da dieta ocidental, fica um pouco mais difícil de se adaptar.”

Para quem ela é recomendada?

“Qualquer indivíduo que decidir seguir a dieta do mediterrâneo vai se beneficiar no ponto de vista de saúde, mas ela é principalmente recomendada para o indivíduo que já tem o diagnóstico de Síndrome Metabólica.

Na verdade, o que é a Síndrome Metabólica? A Síndrome Metabólica não é exatamente uma doença, mas um conjunto de alterações que um indivíduo apresenta que vai aumentar o risco de um evento cardiovascular como um infarto, AVC e derrame. Também aumenta o risco de diabetes.”

Então ela já é indicada para quem tem a síndrome?

“Aquele indivíduo que já tem o colesterol ruim um pouco aumentado, uma alta glicemia, mas que principalmente tem a gordura abdominal, que é a cintura aumentada, é o paciente que mais tem risco de vir a desenvolver um problema grave do ponto de vista cardiovascular. Então, esse paciente vai se beneficiar muito com a dieta do mediterrâneo.

Lembrando que também é preciso associar atividade física à dieta para que ela surta efeito. Isso porque o exercício comprovadamente reduz o risco cardiovascular.

Essa dieta mediterrânea é baseada no estilo de vida dos povos do mediterrâneo. Desde 1950, eles vêm estudando muito e percebem que têm um estilo de vida mais saudável, fazendo mais atividade física, nem que seja caminhando mais, andando de bicicleta, comendo os alimentos mais naturais, mais saudáveis, menos industrializados.”

Para ter um resultado eficaz, então é necessário atrelar dieta e exercício físico?

A Dra. Tatiana Denck explica de forma clara:

“Se puder associar, é o ideal. Lembrando que na dieta do mediterrâneo não dá para comer em grande quantidade.

O indivíduo tem que perceber que, para ele ter uma boa resposta na saúde, é preciso controlar as quantidades. A qualidade do alimento é importante, mas se não reduzir a quantidade, vai engordar.

Isso porque os alimentos da dieta do mediterrâneo também têm calorias. Comparado com um chocolate ou uma fritura, é claro, é melhor. Ainda assim, se o indivíduo abusar, ele engordará e perderá o benefício da dieta.”

Existe algum efeito colateral para quem começa?

“Não, não tem efeito colateral. Até agora, não há nada comprovado que possa oferecer algum malefício. É uma dieta que vai abranger todos os macronutrientes, sempre da maneira mais saudável possível, é claro.

Os carboidratos, por exemplo, são os que vem das frutas, dos legumes, dos cereais integrais, não do biscoito industrializado, do bolo, do doce, entre outros.”

Qual a origem da dieta? Como ela surgiu, de fato?

“Foi a partir de 1950 que iniciou-se um estudo mais aprofundado sobre o estilo de vida da população do Mediterrâneo, mais no Sul da Espanha.

Notou-se uma longevidade maior. Mas, além de mais anos vividos, notou-se maior qualidade de vida. Ao observarem o que eles ingeriam, então, foi encontrada essa correlação com os alimentos, bem como a atividade física.

Essa dieta começou a ser mais interessante para o mundo atual porque é mais sustentável. Ela reduz o problema para o ecossistema também.”

Quais são os benefícios da dieta do mediterrâneo para a Síndrome Metabólica?

“O principal é que é uma dieta que não vai aumentar o colesterol do indivíduo, pelo contrário, a intenção é que melhore. O tipo de gordura que tem na dieta é uma gordura, digamos, do bem. E

la não vai se depositar nas artérias e não vai fazer com que o indivíduo tenha um acidente cardiovascular ou um infarto. Esse é o primeiro ponto.

O segundo ponto é que ela vai reduzir o aumento da glicemia na circulação do sangue do indivíduo.

O motivo é que ele ingerirá carboidratos mais saudáveis, aqueles carboidratos que considera-se que terão uma menor chance de aumentar a glicemia e de melhorar as sensibilidades dos músculos e do organismo em geral à ação da insulina nas células.

Então, esse carboidrato que vem das fibras, dos cereais e das frutas, tem a função de evitar o aumento prejudicial da glicemia quando o indivíduo a ingere. Além de tudo, esse carboidratos e essas fibras também possuem o poder de garantir saciedade, então, o indivíduo come menos.”

Quais os principais sintomas da Síndrome Metabólica?

“O principal sintoma é quando o indivíduo começa a perceber que ele está com a pressão um pouco aumentada, geralmente acima de 14×9, ou que ele já tenha diagnóstico de pressão aumentada e já usa medicação, associada ao aumento da glicemia.

A glicemia normal é de 99 para baixo. Então, quando é feito um exame em jejum e aparece que o indivíduo possui uma glicemia maior ou igual a 100, já é mais um sintoma. Quando o colesterol triglicérides está aumentado, já é um sinal de alerta também.

Mas, acima de tudo, para ter esse diagnóstico, ele precisa ter a circunferência abdominal aumentada. Logo, se ele já tem a circunferência abdominal aumentada, faz os exames e percebe que tem alteração, ele já é classificado como um indivíduo com Síndrome Metabólica.”

Existe alguma forma, fora a dieta, que ajuda na prevenção?

“A Síndrome Metabólica também tem um componente genético. Logo, há indivíduos que já possuem uma predisposição aumentada a evoluir os sintomas. Para pensar em prevenção, a melhor forma são os exercícios.

Se o indivíduo conseguir perder peso, não necessariamente com a dieta do mediterrâneo, ele também vai se beneficiar para não sofrer com a Síndrome Metabólica. O importante, também, é que ele não recupere o peso”, esclarece a Dra. Tatiana Denck.