Pesquisa descobre avanço em vacina contra câncer de mama


Uma pesquisa da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, apresentou resultados promissores na busca por uma vacina contra câncer de mama. Os primeiros testes, com resultados foram apresentados em novembro, apresentaram 100% de eficácia em camundongos.

A potencial vacina se mostrou eficiente para destruir as células cancerosas e gerar imunidade contra o retorno da doença. Ela está sendo desenvolvida para combater o câncer de mama triplo negativo. Ele é o tipo mais agressivo da doença.

No comunicado em que apresentaram os resultados dos testes, os pesquisadores disseram ainda que todos os animais que passaram pelo tratamento, sobreviveram. Além disso, nenhum deles apresentou metástase.

Aliás, esse último ponto é bastante animador. Afinal, a metástase é um dos principais problemas do combate ao câncer de mama triplo negativo.

Vacinas contra o câncer são desenvolvidas desde 2009. Apesar do nome, contudo, não é como as conhecemos. A vacina contra câncer de mama é aplicada quando a doença já existe, e não antes. Assim, ela atua também como medicamento.

O termo vacina, no entanto, é utilizado porque a medicação tem por função imunizar – além, é claro, de curar.

Essa dupla função, aliás, foi fundamental para os bons resultados nos testes. Isso porque parte do medicamento agiu incentivando o crescimento de células que combatem as doenças. Outra parte, por sua vez, atuou para matar células cancerosas.

Na pesquisa americana, os responsáveis aplicaram a vacina sob a pele das cobaias. Ela foi aplicada próxima aos linfonodos, que são pequenos órgãos que atuam na defesa do organismo.

O próximo passo é entender melhor sobre a atuação dessa vacina nas células do câncer. A partir disso, a ideia é iniciar os primeiros testes clínicos. Somente depois disso é que começarão os testes em humanos.

Câncer de mama

O câncer de mama é o tipo que mais mata mulheres no mundo todo.

Trata-se de uma doença causada pela multiplicação exagerada de células da mama. Isso faz com surjam células anormais que, por sua vez, também se multiplicam. Assim, se forma um tumor.

Apesar de falarmos de forma genérica em câncer de mama, há vários tipos. Alguns se formam de maneira muito rápida, enquanto outros crescem de forma lenta. Além disso, eles podem ser do tipo invasivo ou não invasivo.

O não invasivo é aquele que aparece apenas em algum ponto da mama. O invasivo, por sua vez, já se instalou também em outros órgãos. É importante dizer, no entanto, que mesmo o primeiro tipo pode vir a ser invasivo, caso o tratamento demore para iniciar.

O câncer de mama triplo negativo, cuja vacina está sendo desenvolvida, é considerado o mais agressivo deles. Isso porque é o tipo que apresenta maior chance de retorno. Além disso, nesses casos é comum que ele gere metástase. Outro ponto que vale a pena ressaltar é que a sobrevida é menor que a de outros tipos de câncer.

Especialistas afirmam, contudo, que mesmo o triplo negativo tem cura – isso, claro, na maioria dos casos.

Outra característica desse tipo de câncer é que ele costuma atingir mulheres jovens. Ao todo, entre 15% e 20% dos casos de câncer de mama do mundo são do tipo triplo negativo.

É importante destacar, ainda, que o câncer de mama também pode aparecer em homens. Os casos, porém, são bastante raros. Na média, apenas 1% do total atinge homens.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, cerca de 67 mil pessoas deverão apresentar câncer de mama no Brasil apenas em 2020.

Sinais e sintomas

Como todo de tipo de câncer, o de mama tem maiores chances de cura se for tratado logo no início. E, na maioria dos casos, ele pode ser percebido mesmo nas fases iniciais. Por isso, é preciso ficar atento à presença de algum dos seguintes sinais ou sintomas:

  • Caroço, fixo e quase sempre sem apresentar dor: segundo os médicos, esta é a principal forma de identificar a doença. Em cerca de 90% das vezes, ele é percebido pela própria mulher ao tocar a mama;
  • Mudança na pele da mama: ela fica em tom vermelho;
  • Alteração no bico do peito;
  • Presença de pequenos caroços embaixo dos braços ou no pescoço;
  • Saída de líquido pelo bico do peito.

Os médicos alertam que, ao perceber qualquer um desses sintomas, deve-se procurar atendimento. Afinal, apenas o exame clínico não é suficiente para confirmar ou não o câncer.

Em geral, exames de imagem também devem ser feitos. Mas, claro, a confirmação ou não do câncer de mama só é possível por meio de uma biópsia. O material retirado, então, passa por análise.

Fatores de risco

Alguns fatores podem ajudar a identificar pessoas com maior risco da doença. Assim, é importante ficar atento ao histórico familiar para casos de câncer.

Pessoas que tiveram dois ou mais parentes de primeiro grau com câncer de mama devem ficar atentos. Mas, mesmo se o grau não for tão próximo, é importante observar casos na família.

Mulheres entre 40 e 69 anos estão no grupo com maior chance de ter algum tipo de câncer de mama. Mas, é importante lembrar que o tipo mais agressivo costuma atingir mulheres jovens, com menos de 30 anos.

Tratamento

A vacina contra câncer de mama que está sendo testada nos Estados Unidos mira o triplo negativo. Isso porque, como já dissemos, é o tipo mais agressivo da doença.

Segundo os responsáveis pela pesquisa, esse tipo de câncer não estimula respostas fortes do sistema de defesa do corpo. Assim, mesmo as terapias mais indicadas têm demonstrado dificuldades em enfrentá-lo.

Apesar disso, vale lembrar, o triplo negativo, como qualquer tipo de câncer, tem boas chances de cura. Para isso, é importante que o tratamento comece cedo.

Atualmente, o tratamento para o câncer de mama é feito de diversas formas. Ele depende, sobretudo, da fase da doença e do tipo do tumor. Entre os tratamentos já conhecidos estão a cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Além desses, também pode ser indicada a terapia com hormônios e a terapia biológica.

Agora, a expectativa dos médicos é que os bons resultados apresentados pela vacina contra câncer de mama se confirmem também em novos testes. Seria o tratamento mais promissor contra a doença.