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A importância da telessaúde durante a pandemia de COVID-19 no Brasil

São Paulo, 19 de agosto de 2021
 

A telessaúde durante a pandemia de COVID-19 vai diretamente ao encontro das imprescindíveis medidas de contenção da transmissão da doença, reconhecida mundialmente, como o uso de máscara aliado ao distanciamento social.

Inúmeros pacientes tinham demandas de assistência médica mesmo com decretos de lockdown estabelecidos. Como exemplos, podemos citar os portadores de doenças como hipertensão e diabetes, urgências médicas e pacientes assintomáticos de COVID-19 cumprindo quarentena residencial.

Ainda, nas primeiras semanas epidemiológicas da pandemia no Brasil, pouco se sabia sobre os sinais, sintomas e manejo adequado do vírus Sars-CoV-2, ou “novo coronavírus”, como também costuma ser chamado.

Inegavelmente, a atualização frequente sobre a nova doença em circulação era fundamental para os indivíduos em geral, mais especificamente para os profissionais de equipes multidisciplinares de saúde.

Certamente, existia também a preocupação com a saúde e segurança dos médicos.

Neste cenário, a telessaúde brasileira ganhou visibilidade como uma alternativa viável ao atendimento presencial.

Dessa forma, como uma resposta rápida, os sistemas de telessaúde foram – e continuam sendo – importantes para monitoramento, promoção, educação e atendimento em saúde por meios tecnológicos.

A telessaúde durante a pandemia de COVID-19 no Brasil

Apesar de parecer nova, a telessaúde está em uso no Brasil desde 1990. Alguns exemplos deste modelo são:

  • Disque Saúde;
  • Rede RUTE;
  • TeleSUS;
  • Programa Telessaúde Brasil Redes.

A maioria era utilizada no atendimento na atenção primária, como nas estratégias de saúde da família no SUS, e também em consultas e acompanhamentos na rede privada.

Logo, realizaram-se esforços para a expansão da telessaúde como uma resposta rápida à pandemia que viria a crescer e vitimar milhões de pessoas no mundo todo.

A situação exigia a redução da circulação de pessoas nas instituições de saúde. Diante disso, o projeto de Lei n° 696/2020 foi aprovado na Câmara dos Deputados. O projeto autorizou, excepcionalmente, o uso das teleconsultas, por planos e Sistema Único de Saúde.

Anteriormente a esse PL, a teleconsulta não era permitida pelo CFM, apesar de ser uma prática aprovada por grande parte dos médicos.

Para além das consultas, outras funções da telessaúde

O propósito da telessaúde é de ser um suporte aos complexos de saúde. Portanto, ele conta não apenas com as teleconsultas, mas também com:

  • Teleconsultoria: modalidade de consultoria entre profissionais da saúde, com o intuito de esclarecer dúvidas sobre processo de trabalho, ações e procedimentos relacionados à saúde;
  • Telediagnóstico: serviço que auxilia o diagnóstico através do envio de exames como a telespirometira, telepatologia e teleECG;
  • Telemonitoramento: monitoramento das condições de doença e saúde dos pacientes, realizado a distância;
  • Telerregulação: serviços de regulação, planejamento e avaliação de ações. Contribui para a diminuição das filas de espera de determinados procedimentos;
  • Teleducação: disponibiliza cursos, aulas e documentos auxiliares para o aprendizado em saúde;
  • Segunda opinião formativa: sistema de resposta à teleconsultoria, fundamentada por revisão bibliográfica.

Como podemos ver, a telessaúde mostra-se com amplo potencial, contribuindo diretamente para a melhoria na qualidade da assistência e acesso a médicos especialistas em áreas remotas.

Conseguimos observar, ainda, que a telessaúde contribui para a redução da exposição de médicos e pacientes ao vírus, visto que a modalidade permite que as consultas sejam realizadas sem sair de casa.

Importância da telessaúde na pandemia para os médicos

O comportamento do Sars-CoV-2 levantou dúvidas sobre protocolos de atendimentos para os médicos espalhados pelo país, independente da experiência e anos de formação.

Dessa forma, os esforços de telessaúde ampliados, como os realizados pela Telessaúde RS-UFRGS, foram imprescindíveis para informar, auxiliar e oferecer outro parecer a esses profissionais sobre:

  • casos suspeitos;
  • uso de EPI’s;
  • atestados e isolamento;
  • testagem;
  • tratamentos possíveis.

Além disso, a telessaúde brasileira conta com esforços para a produção de conteúdos educativos. Nesse sentido, são produzidos gráficos, infográficos, vídeos, webinars e protocolos propostos aos profissionais das equipes multidisciplinares, para tratamento de casos simples e graves.

A modalidade da telessaúde, em tempos de pandemia, é uma excelente ferramenta que ajuda a salvar vidas por meio da divulgação de informações de qualidade, protocolos estabelecidos e referenciados e, de forma direta, consultas a distância.

O uso da telessaúde durante a pandemia de COVID-19 e os benefícios para os usuários

Os pacientes também recebem informações através de telefones, chatbots e aplicativos de mensagem. Através deles, é possível realizar atendimento médico e a divulgação de informações sobre o comportamento do coronavírus e da doença.

O acompanhamento diário para casos leves da infecção por SarS-COV-2 é um benefício. Nesses atendimentos, diariamente são coletados dados como temperatura e outros sintomas para acompanhar a progressão da doença. Ao sinal de agravamento do estado de saúde, os pacientes são encaminhados para atendimento presencial.

A telessaúde também permite acompanhar pacientes portadores de comorbidades (grupo de risco da COVID-19), remotamente, a distância. Dessa forma, é possível prevenir aglomerações e prosseguir com os tratamentos prescritos.

Psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e enfermeiros, dentre outros especialistas, também estão disponíveis para os usuários pelo atendimento remoto. De tal forma, é possível a manutenção da saúde biopsicossocial no decorrer da pandemia.

Considerações finais

A telessaúde é uma modalidade de assistência de resposta rápida à crise e com inúmeros benefícios para os usuários. Certamente, garante aos médicos o pleno exercício de sua profissão, com constante atualização e, para alguns, reduz inclusive a preocupação em se expor a situações de risco.

Igualmente, os pacientes podem receber atendimento especializado, sem gasto de dinheiro e tempo para locomoção – e, ainda, mantendo-se constantemente monitorados e informados por profissionais habilitados e em segurança.

Já para as organizações de saúde, as ações da telessaúde contribuem para evitar ainda mais o excedente de capacidade em hospitais, consultas e exames desnecessários.

É vital ressaltar que direcionar os pacientes nos sistemas de saúde por meio da verificação de suas necessidades, bem como da análise da complexidade de cada caso, é uma tarefa de extrema importância. E, nesse cenário, a telessaúde é uma das ferramentas protagonistas.

Concluímos, então, que o uso da telessaúde durante a pandemia de COVID-19 vem se mostrando importante para a contenção do quadro epidemiológico e também para perceber os potenciais e as principais dificuldades de seu uso após o fim da crise sanitária, como os aspectos legais que envolvem a telessaúde e a falta de uma cultura de compartilhamento de informações. Lembre-se: estar informado salva vidas.