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Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e a relação entre homens e mulheres

São Paulo, 25 de junho de 2021
 

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma das principais causas de morte e morbidade em países em desenvolvimento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, cerca de 64 milhões de pessoas vivem com essa comorbidade, e 3 milhões já morreram no mundo.

Contudo, a DPOC ainda é pouco conhecida. Por isso, no estudo “A relação entre homens e mulheres portadores de DPOC”, os autores Kelvin Lee Rodrigues, Vilmar Baldissera e Gabriella Soares de Souza caracterizam a saúde do sistema respiratório por meio da espirometria e comparou o número de casos na população do sexo masculino e feminino.

O que é Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica?

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma enfermidade respiratória que engloba uma série de outras comorbidades de causas e origens diferentes. Ela está associada principalmente à obstrução crônica do fluxo aéreo associado a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões devido a partículas ou gases irritantes.

Embora a DPOC seja tratável e prevenível, a limitação do fluxo aéreo é progressiva e não é totalmente reversível. Além disso, a epidemiologia da doença mostra que a sua mortalidade aumenta de acordo com a idade da pessoa.

Com base nos dados do DATASUS, dos pacientes com Doença Pulmonar Crônica, cerca de 20% apresenta enfisema pulmonar, e 80% bronquite crônica ou uma combinação dessas duas enfermidades. Vejamos mais detalhes sobre cada uma delas a seguir.

Enfisema pulmonar

O enfisema pulmonar é uma doença degenerativa em que há um aumento dos espaços aéreos distalmente ao bronquíolo terminal e destruição das suas paredes sem fibrose óbvia. Via de regra, o paciente com essa enfermidade apresenta os seguintes sintomas:

  • Prolongamento da expiração;
  • Dispneia;
  • Sibilo;
  • Tosse;
  • Perda de peso;
  • Hábito de sentar inclinado para frente.

Além disso, a gravidade do enfisema pulmonar é classificada de acordo com a sua distribuição anatômica no lóbulo. Os quatro tipos principais são: centroacinar, panacinar, parasseptal e irregular.

Infelizmente, os danos causados pelo enfisema pulmonar são irreversíveis. Assim, a causa da morte de indivíduos com essa comorbidade está relacionada a insuficiência cardíaca e a acidose respiratória.

Bronquite crônica

Em contrapartida, a bronquite crônica é caracterizada por tosse persistente com produção de escarro durante pelo menos 3 meses em menos de 2 anos.

Os primeiros sintomas da enfermidade são a hipersecreção de muco nas grandes vias aéreas, devido ao aumento das células caliciformes das pequenas vias aéreas, e a hipertrofia das glândulas submucosas nos brônquios e na traqueia. Em seguida, podem aparecer dispneia, cianose leve e hipoxemia, características da DPOC.

Quando a bronquite crônica evolui para Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, ela pode provocar insuficiência cardíaca e cor pulmonale (espessamento do ventrículo do lado direito do coração).

Diagnóstico da DPOC

A classificação da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é realizada de acordo com os dados clínicos, funcionais e de gasometria arterial. Atualmente, o exame de espirometria é a principal ferramenta de diagnóstico. Além disso, também pode-se utilizar o critério GOLD, pois ele é mais específico e traz oportunidades únicas de diagnosticar a doença.

Com base nos resultados apresentados no exame, a DPOC pode ser identificada como:

  • Leve: quando há limitação leve do fluxo aéreo, ou seja, com VEF1/CVF inferior a 70% e volume expiratório forçado no primeiro segundo igual ou superior a 80% do previsto. Nessa fase da doença, geralmente o paciente pode não perceber alterações na sua função pulmonar, prejudicando o diagnóstico precoce;
  • Moderada: quando há limitação média do fluxo aéreo, com VEF1 inferior a 80% e igual ou superior a 50% do previsto. Nesse caso, a percepção dos sintomas é maior em relação à fase leve da DPOC;
  • Grave: quando há limitação grave do fluxo aéreo (VEF1 inferior a 50% e igual ou superior a 30% do previsto), hipoxemia (pressão parcial de O2 inferior a 60 mmHg e pressão parcial de CO2 igual ou menor que 45 mmHg) ou dispneia de grau 2 ou 3 na fase estável. Nessa fase, o paciente tem sua qualidade de vida bastante afetada e as crises ocorrem de forma mais grave e frequente;
  • Muito grave: quando há volume expiratório forçado no primeiro segundo inferior a 30% do previsto, hipercapnia ou sinais de insuficiência cardíaca direita e cor pulmonale. Nesses casos, geralmente o paciente se torna incapaz de realizar tarefas comuns do dia a dia, o que causa dispneia de grau 4 e dependência.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica: qual a relação entre homens e mulheres?

No estudo “A relação entre homens e mulheres portadores de DPOC”, os autores fizeram uma análise de prontuários e 46 espirometrias com diagnóstico de DPOC, sendo 23 de homens e 23 de mulheres. O objetivo era comparar os valores entre indivíduos do sexo masculino e feminino com base no Índice de Tiffeneau (VEF1/CVF).

Como resultado, foi observado que a média pré-broncodilatador foi de 63,22, e 59,36 pós-broncodilatador entre os homens. No caso das mulheres, a média pré-broncodilatador foi de 63,54, e a pós-broncodilatador foi de 58,33.

Dessa forma, conclui-se que os pacientes com DPOC não respondem de forma eficaz ao uso de broncodilatadores, especialmente nos casos de enfisema pulmonar. Além disso, não há evidências significativas de diferença em relação a não responsividade do medicamento entre o sexo masculino e feminino.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica no Brasil

Infelizmente, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é um problema de saúde pública, acometendo cerca de 64 milhões de pessoas no mundo todo. Segundo a OMS, até 2030 essa enfermidade será a principal causa de morte do planeta.

No Brasil, estima-se que 6 milhões de pessoas sofrem com DPOC, sendo que 61% são fumantes e ex-fumantes que mantiveram o vício por um longo período. A revisão sistemática “Epidemiologia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica no Brasil” mostrou que a prevalência da doença no país foi de 17% entre adultos maiores de 40 anos. Além disso, a região de maior prevalência é o centro-oeste (25%), seguida pela região sudeste (23%).

Por isso, embora seja possível controlar a doença e ter uma qualidade de vida melhor por meio de terapias, ainda são necessários estudos para financiar novas estratégias de intervenção e a criação de políticas públicas de saúde para o controle e prevenção da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Como profissional da saúde, vale a pena manter o olho nas novidades e atualizações da área, como as que publicamos aqui na Medictalks. Estar informado salva vidas.