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Doença Arterial Periférica (DAP): como afeta a qualidade de vida do portador?

São Paulo, 23 de junho de 2021
 

Uma doença que afeta a circulação da corrente sanguínea nas pernas, a Doença Arterial Periférica (DAP) é um transtorno que interfere na qualidade de vida do paciente ao provocar dores nos membros inferiores.

Um recente estudo publicado na Revista de Ciências Médicas e Biológicas avaliou com maior profundidade o nível de interferência do DAP na qualidade de vida de seus portadores e o perfil dos mais afetados.

O estudo revelou que além de prejudicar o desempenho de atividades físicas, a Doença Arterial Periférica também é capaz de prejudicar a qualidade do sono.

Doença Arterial Periférica: obstrução e dor

O desenvolvimento da Doença Arterial Periférica ocorre com o estreitamento ou oclusão arterial de vasos sanguíneos dos membros inferiores. Geralmente, a obstrução decorre da concentração de componentes gordurosos, enrijecimento dos canais dos vasos sanguíneos e inflamação extremada no local.

O estreitamento dos canais de difusão sanguínea naturalmente interfere no trânsito do fluído na região, provocando efeitos incômodos, em especial dor, principalmente ao caminhar.

Se não tratada, a oclusão dos vasos evolui até fechar de vez podendo acarretar, em casos extremos, na amputação do membro.

Doença Arterial Periférica é um sinal de alerta

Mesmo com o sucesso do tratamento, o paciente precisa ser observado atentamente e de maneira mais ampla. A DAT também significa um alerta de algo fora da normalidade está ocorrendo com os vasos do organismo.

Um indicativo dessa tendência é pessoas com DAP têm mais risco de sofrerem infarto e AVC devido à obstrução de artérias que irrigam o cérebro e o sistema cardiovascular.

Sinais e sintomas da DAT

O indivíduo com Doença Arterial Periférica sente dor principalmente ao caminhar. É comum também que sinta fisgadas, sobretudo na panturrilha.

Outros sintomas típicos de Doença Arterial Periférica são as sensações de fadiga e cãibra nas pernas. Esta última reduz ao parar de caminhar ou de se exercitar, ou seja, ao imobilizar as pernas.

Percebe-se também em pacientes com Doença Arterial Periférica a perda de pelo nas pernas e o enfraquecimento das unhas dos pés.

Outra característica é o esbranquiçamento dos membros inferiores, além de constantes infecções nos pés.

Causas e fatores de risco da DAT

Há causas intrínsecas e extrínsecas para o desenvolvimento de Doença Arterial Periférica. Um dos fatores de risco do qual não se tem controle é o envelhecimento. Pessoas com mais de 50 anos têm tendência de desenvolver o transtorno.

Hábitos como o tabagismo e alimentação desregrada também favorecem o surgir do mal. Pessoas com hipertensão, colesterol alto, sobrepeso e diabetes são mais propensas a evoluir o transtorno.

Formas de prevenção da Doença Arterial Periférica

A melhor forma de se prevenir dos males da Doença Arterial Periférica é cultivar hábitos saudáveis e abandonar vícios nocivos, principalmente o tabaco e a alimentação pobre em nutrientes e farta de calorias.

Manter sob controle a glicemia e a pressão arterial é também outra forma de evitar a moléstia. Sem dúvida, a melhor ação para inibir o desenvolvimento dos processos que levam a DAT é praticar exercícios físicos com regularidade. Uma dieta equilibrada é outra medida que faz a diferença.

Qualidade de vida comprometida: limitações físicas e distúrbios do sono

A Doença Arterial Periférica traz prejuízos à qualidade de vida muito por conta do desconforto provocado pela dor em razão da obstrução dos vasos nas pernas.

Além de prejudicar o exercício de atividades, o DAT interfere também no repouso, conforme constatado pela pesquisa citada anteriormente. A mesma dor sentida durante o caminhar se manifesta também durante o descanso noturno, ocorrência que leva ao desenvolvimento de distúrbios do sono.

Dificuldade de locomoção e de boas noites de descanso, sem dúvida, são fatores que prejudicam em larga medida a qualidade de vida dos portadores da Doença Arterial Periférica.

Público mais atingido

A pesquisa teve como base a análise de 27 pacientes com Doença Arterial Periférica. Eles foram submetidos ao Questionário Internacional de Atividade Física, o Short Form Health Survey 36, para qualidade de vida, o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh, para a qualidade do sono, e o Questionário de Edimburgo para Claudicação Intermitente.

Do total de pacientes avaliados, 44% eram do sexo masculino e 55,6% do sexo feminino. Dos avaliados, 37% eram de cor/raça preta.

A queixa mais registrada foi a limitação provocada pela dor. A maioria dos entrevistados, 81,5%, informou não sentir claudicação intermitente.

O estudo, além de concluir que a Doença Arterial Periférica interfere significativamente na qualidade de vida de seus portadores ao gerar distúrbios de sono e limitações físicas, também concluiu que a enfermidade é mais frequente em idosos.

O diagnóstico da DAT: quanto antes, melhor

Para o diagnóstico da DAT, sem dúvida, o melhor procedimento é realizar o exame clínico chamado “índice tornozelo-branquial”. O exame avalia a pressão arterial nos membros inferiores e superiores para fazer uma comparação, por isso é o principal recurso para identificar a Doença Arterial Periférica.

Atente-se que uma diferença igual ou superior a 0,9 é um forte indício de um caso de DAP em curso.

A importância do diagnóstico precoce está nas chances de evitar as possíveis consequências derivadas do transtorno.

Tratando a DAP

A estratégia do tratamento deve focar na redução ou eliminação dos agentes causadores da obstrução dos vasos sanguíneos.

Não há medicamentos específicos que atuem diretamente na remoção das placas de gorduras, contudo, pode-se receitar anticoagulantes. Esses medicamentos são úteis para evitar a ocorrência de mais obstruções.

Sem dúvida, deve-se incentivar a prática de exercícios físicos, porque fazem parte do tratamento, pois estimulam a circulação colateral.

O ideal é que o paciente possa contar com uma orientação profissional para executar as atividades. Contudo, caminhadas diárias, mesmo não sendo a melhor opção, certamente ajudam.

Para os casos de maior gravidade, é necessário cirurgia. No entanto, o grau de invasão é mínimo, pois se necessita apenas pôr um stent na artéria problemática. A estrutura metalizada favorece que o sangue flua pelos vasos, aliviando a pressão causada pela obstrução.

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