Artigo

Diagnóstico clínico-radiológico da Doença de Crohn

São Paulo, 21 de junho de 2021
 

Assim como outras doenças inflamatórias gastrointestinais, o diagnóstico clínico-radiológico da doença de Crohn pode apresentar um desafio.

Apesar de ainda não ter uma cura encontrada, a doença de Crohn é tratável. Os medicamentos reduzem a inflamação, o que controla os sintomas. Isso permite aos pacientes, mesmo quando apresentam casos graves, manterem suas vidas ativas e com qualidade.

Uma vez que seus sintomas são comuns a diversos outros quadros, sejam eles provocados por doenças infecciosas ou inflamatórias, é preciso conhecer os métodos mais aplicados e que produzem resultados mais confiáveis.

Para a doença de Crohn se destacam as endoscopias e testes de imagens detalhadas, como ressonância magnética e tomografia computadorizada, como veremos.

A doença de Crohn

A chamada doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal, ou DII, que afeta principalmente o íleo e o cólon, mas que pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal.

Entre os sintomas mais comuns estão a diarreia, cólicas abdominais e perda de apetite que leva a consequente perda de peso. Observa-se também, em muitos casos, a presença de febre e sangramento retal.

Fatores genéticos, tabagismo e uso de anti-inflamatórios não esteroides estão entre os principais fatores que contribuem para o desenvolvimento da doença.

A doença de Crohn apresenta características semelhantes a outras doenças que afetam o trato gastrointestinal, o que pode dificultar seu diagnóstico em algumas ocasiões. Sendo a colite ulcerativa a principal, é possível destacar que, no caso desta, a apenas a camada mais superficial, de mucosa, é afetada, e sempre de forma contínua.

Já no caso da doença de Crohn, inflamações acometem todas as camadas do tecido e observam-se segmentos de intestino saudáveis entres os inflamados.

O nome da doença vem do médico Burril B. Crohn. Especializado em doenças gastrointestinais, ele foi o primeiro autor do artigo que a descreveu, publicado no ano de 1932.

Métodos para diagnóstico clínico-radiológico da doença de Crohn

Uma vez que afeta os tecidos epiteliais do trato gastrointestinal, os principais métodos para seu diagnóstico são exames de imagem. Estes permitem uma observação direta do tecido e sua consequente avaliação por parte do profissional de saúde.

De forma geral, os exames citados oferecem condições suficientes para diagnóstico clínico-radiológico da doença de Crohn.

Apesar disso, podem ser necessárias biópsias de tecidos para uma avaliação histológica mais detalhada, ou a execução de múltiplos exames, uma vez que algumas características apresentadas pela doença se sobrepõem com as de outras que acometem o sistema digestivo.

Colonoscopia

O exame de endoscopia digestiva baixa, também conhecido como colonoscopia, permite uma avaliação da atividade inflamatória provocada pela doença de Crohn.

Através das imagens pode-se identificar as lesões ulceradas focais e descontinuadas entre as áreas de mucosa normal.

Apesar de ser o principal método empregado para diagnóstico, e ser considerado padrão ouro, a colonoscopia pode não ser capaz de detectar certas complicações da doença de Crohn.

Além disso, sua incapacidade de alcançar porções significativas do intestino delgado é um grande limitador.

Outro fator complicante é o fato de, muitas vezes, ser impossível diferenciar entre a doença de Crohn e colite ulcerativa apenas pelas imagens macroscópicas que a colonoscopia oferece.

Dessa forma, uma análise detalhada faz-se necessária, através de biópsias tanto dos tecidos inflamados, como dos aparentemente normais.

Apesar disso, algumas características morfológicas, como o padrão de envolvimento da mucosa e aspectos das úlceras, podem auxiliar na diferenciação entre os quadros.

Enteroscopia

Uma vez que a colonoscopia não fornece uma imagem completa, tem-se adotado a enteroscopia como método para diagnóstico da doença de Crohn. Este método permite uma avaliação de todo o trato gastrointestinal, e são utilizadas as técnicas de cápsula enteroscópica e duplo balão.

A enteroscopia com cápsulas endoscópicas permite uma observação de toda a mucosa do intestino delgado. Dessa forma é possível avaliar a extensão da doença. Porém, este método impossibilita a execução de biópsia, o que faz dele ideal como exame complementar.

Por outro lado, a técnica de balão duplo possui caráter ainda mais limitado. Ela permite intervenção terapêutica após análise macroscópica e histológica, mas apresenta um risco significativo de perfuração das alças intestinais.

Tomografia computadorizada

A entero-tomografia computadorizada é cada vez mais utilizada e rapidamente se tornou um dos exames preferenciais para diagnóstico da doença de Crohn.

Primeiramente, suas imagens possuem uma alta resolução e riqueza de detalhes. Além disso, este método é pouco invasivo, rápido e de simples execução. Portanto, é bastante acessível e se torna ideal tanto para diagnóstico como para acompanhamento do tratamento e evolução da doença.

As imagens geradas permitem uma visualização detalhada do lúmen e do relevo mucoso. Os principais sinais radiológicos observáveis são o espessamento mural, sinal do pente, realce mural, estenose de alça, densificação da gordura, linfonodomegalia regional e presença de fístulas.

Ressonância magnética

Semelhantemente à tomografia computadorizada, o exame de entero-ressonância magnética gera imagens limpas e detalhadas.

Assim sendo, é possível observar também características como o espessamento das alças intestinais, o grau de cicatrização e inflamação parenteral e enteral. Além disso, pode-se avaliar possíveis fístulas, estenose, abcessos e neoplasias.

Porém, imagens por ressonâncias magnéticas possuem ainda uma série de vantagens. Entre as principais, estão a possibilidade de gerar imagens em tempo real, o que permite a diferenciação entre estenose e contrações fisiológicas; obtenção de maior contraste entre regiões abdominais; e a capacidade de melhor avaliação da extensão da inflamação anorretal.

E não apenas isso, mas também pode-se destacar o fato de exames por ressonância magnética não utilizarem radiação ionizante. Essa característica torna esse método muito mais seguro e um dos principais para o diagnóstico clínico-radiológico da doença de Crohn e o seu acompanhamento.

Considerações finais

Os métodos para observação e avaliação do trato gastrointestinal são muitos e variados. É de suma importância conhecer as possibilidades para oferecer aos pacientes o melhor atendimento e tratamento possível.

Os exames variam em graus de eficiência e invasão, e cada um pode servir um propósito. Quando tratamos da doença de Crohn, as imagens geradas por tomografia computadorizada e ressonância magnética merecem destaque e permitem uma avaliação altamente detalhada das lesões provocadas pela doença e outras características de diagnóstico.

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