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Terapia fotodinâmica é método alternativo para tratar a candidíase oral

São Paulo, 17 de junho de 2021
 

Tratamentos tradicionais para a candidíase oral, com uso de medicamentos como antibióticos, são extremamente eficazes, mas, ao mesmo tempo, apresentam uma série de problemas. Graças a isso, o desenvolvimento e uso de outras metodologias se mostra cada vez mais necessário.

Como veremos, uma forma que se mostra altamente viável para o tratamento de candidíase oral é a terapia fotodinâmica. Esse método alternativo apresenta resultados incríveis, tanto de forma isolada como em conjunto com medicamentos, e possui uma série de vantagens.

A candidíase oral

Provocada por leveduras do gênero Candida spp., a candidíase oral é uma infecção fúngica oportunista caracterizada pelo aumento populacional descontrolado destes fungos que fazem parte da microflora bucal.

A doença é provocada principalmente pela Candida albicans, mas também é comumente associada às espécies C. glabrata, C. krusei e C. tropicalis. A infecção pode se apresentar em três formas clínicas:

  • Pseudomembranosa: placas brancas aparecem na mucosa bucal e são facilmente removidas por raspagem;
  • Eritematosa: esta forma clínica se manifesta no dorso da língua, onde é possível observar regiões despapiladas e lesões vermelhas e doloridas. É associada ao uso prolongado de agentes anti bacterianos, que causam a redução de bactérias bucais que naturalmente fazem controle da população de Candida spp.;
  • Hiperplásica: essa forma apresenta placas brancas e espessas, geralmente no dorso da língua e comissura labial, não removidas por raspagem.

Fatores de risco

Primeiramente, é importante lembrar que a Candida spp. faz parte da flora natural de microrganismos encontrada em nosso corpo.

Assim sendo, ela torna-se patogênica quando alguns fatores permitem com que suas populações se multipliquem além do comum. Entre os principais podemos citar a hipossalivação, uso de próteses dentárias, diabetes mellitus e o uso prolongado de antibióticos e corticoides.

Organismos com o sistema imunológico debilitado também são suscetíveis a infecções diversas, a candidíase oral inclusa. Por isso, pacientes com doenças autoimunes como a AIDS, neoplasias malignas, síndromes metabólicas, que estejam fazendo uso de imunossupressores, dentre outros, apresentam risco elevado para a doença.

Tratamentos convencionais

Tradicionalmente, trata-se a candidíase oral através da administração de antifúngicos, como a nistatina, fluconazol e caspofungina.

Apesar de efetivos, estes tratamentos apresentam alguns problemas comuns relacionados ao uso de agentes antibióticos. O principal deles é o desenvolvimento de cepas resistentes aos compostos.

Este problema, que adiciona mais uma enorme preocupação no ambiente hospitalar, atualmente já gera uma verdadeira corrida armamentista entre bactérias e outros agentes resistentes e a indústria farmacêutica.

Além disso, é ainda mais grave quando falamos de infecções fúngicas dada a baixa quantidade de antifúngicos utilizados nos tratamentos. Essa escassez de variedade favorece ainda mais o surgimento de variantes resistentes, já que se utiliza os mesmos medicamentos com mais frequência.

Assim sendo, cada vez mais se discute a necessidade do desenvolvimento de terapias alternativas. Elas oferecem não apenas mais oportunidades de cura e recuperação ao paciente, mas também podem evitar o rápido surgimento de cepas resistentes, ou mesmo eliminar esse problema como um todo.

Terapia fotodinâmica (PDT)

Uma alternativa já utilizada para a candidíase oral, e outras patologias orais e periorais, é a terapia fotodinâmica, ou photodynamic therapy – PDT.

As terapias fotodinâmicas funcionam através da aplicação tópica de um fotossensibilizador no local da infecção, seguida da irradiação com luz visível. A reação provocada elimina as células fúngicas por diversos mecanismos.

Fotossensibilizadores são corantes biológicos, cuja aplicação na medicina já é feita há mais de um século e considerados extremamente seguros devido a sua baixa toxicidade. Além disso, os principais corantes utilizados são hidrofílicos, o que facilita sua eliminação pelo organismo.

Para tratamento da candidíase oral, a aplicação é tópica, ou seja, no local específico da infecção, e sob doses controladas. Isso garante ainda mais segurança ao processo.

Entre os fotossensibilizadores mais comuns encontramos o azul de metileno, azul de toluidina, ftalocianinas e porfirinas.

Igualmente seguras são as fontes de luz utilizadas no tratamento. Estas podem ser diodos emissores de luz ou lasers de baixa potência. Utiliza-se comumente os dois e ambos apresentam alta segurança.

No entanto, tende-se a preferir o uso de lasers, dada sua emissão de fótons em uma mesma direção e de maneira concentrada.

Como funciona a terapia fotodinâmica?

Quando o fotossebilizador é exposto à luz de frequência específica para sua ativação, ocorre uma reação com o oxigênio presente nas células.

A mais comum é a reação de tipo II. Ela funciona graças a transferência de energia do fotossensibilizador para o oxigênio. Esse oxigênio altamente reativo danifica a parede celular da levedura e invade a célula, passando a destruir suas organelas e DNA.

Terapia fotodinâmica no tratamento da candidíase oral

Terapias fotodinâmicas se apresentam como uma alternativa altamente eficaz e de baixa toxicidade para o tratamento de candidíase oral em variados estudos.

Elas também são baratas e de aplicação simples. Além disso, as exposições podem ser feitas entre períodos relativamente longos, como 3 vezes por semana.

Como método alternativo

Primeiramente, quando utilizadas no lugar dos tratamentos à base de antifúngicos, a terapia fotodinâmica apresenta resultados muito próximos, mas ainda menos efetivos.

Testes laboratoriais atestam a validade desta alternativa para a maior parte dos casos. Além disso, a exposição aos fotossensibilizadores ou frequências de luz não causam qualquer alteração nas áreas expostas, indicando alta taxa de segurança.

No entanto, de forma alguma isso inviabiliza o uso delas por si só. Todas as características positivas, como baixa toxicidade, acessibilidade e inexistência de reações medicamentosas, fazem da terapia fotodinâmica uma ótima alternativa para tratamento de candidíase oral.

Politerapia

Por outro lado, terapias fotodinâmicas em conjunto com antifúngicos surtiram efeitos muito positivos. Como era de se esperar, a combinação de tratamentos oferece alto poder de combate a infecções.

Além disso, a aplicação de PDT apresentou consideráveis efeitos em isolados clínicos resistentes a antifúngicos, como mostra Huang et al. em estudo de 2018. Isso significa uma maior capacidade de combater tais cepas causadoras da candidíase oral.

Considerações finais

Tratamentos diversos nos dão mais opções para combater a candidíase oral. Isso permite uma alta adaptabilidade às circunstâncias e amplo acesso a métodos eficazes.

Explorar as possibilidades, através de estudos como os apresentados, é essencial para o desenvolvimento de métodos e formação de profissionais mais capacitados.

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