Artigo

Recomendações para o rastreamento do câncer colorretal

São Paulo, 24 de março de 2021
 

Terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens, o câncer colorretal se caracteriza por ser um tumor maligno que desenvolve no cólon ou na porção final do intestino grosso. O adenocarcinoma é o tipo mais comum desse tumor. O artigo de hoje traz algumas das mais importantes recomendações para o rastreamento do câncer colorretal. Confira!

Recomendações para indivíduos com risco médio

Na maior parte dos casos, o tumor tem desenvolvimento com um pólipo adenomatoso que, com o passar dos anos, acaba sofrendo modificações nas suas células. Assim, a forma mais eficiente de prevenção da doença é a realização de um acompanhamento periódico.

Para os indivíduos que apresentam risco médio para a doença, a orientação é que o rastreamento comece aos 45 anos. Para aqueles que possuem boa saúde e expectativa de vida de mais de dez anos, o monitoramento deve ser feito de forma regular até os 75 anos de idade.

Já quem tem idade mais avançada, de 76 a 85 anos, a recomendação é observar o estado geral de saúde do paciente, bem como a sua expectativa de vida e análise do monitoramento interior. Para os maiores de 85 anos, não é indicado o rastreamento do câncer.

Mas, afinal, como diferenciar o risco médio e o risco alto de câncer colorretal? Considera-se risco aumentado para doenças os indivíduos que:

  • Já apresentaram a doença ou possuem pólipos específicos;
  • Possuem histórico de câncer colorretal na família;
  • Têm suspeita ou confirmada a síndrome de câncer hereditária do cólon, como síndrome de Lynch ou polipose adenomatosa;
  • Têm histórico de doenças como colite ulcerativa e doença de Crohn;
  • Já passaram por tratamento de radioterapia em toda a região da pélvis ou do abdômen.

Principais formas de acompanhamento do câncer colorretral

Diante do exposto, a forma mais eficaz para a prevenção desse câncer é a realização de exames como, por exemplo, a colonoscopia para a identificação e também a retirada de pólipos suspeitos.

Existem outras opções para o rastreamento do câncer: exames de fezes (em especial o imunoquímico fecal), teste do guaiacol (sangue oculto nas fezes) e DNA fecal (indicação de realização a cada três anos).

Para uma análise mais detalhada, a indicação é a colonoscopia (de dez em dez anos), a sigmoidoscopia flexível (de cinco em cinco anos) e a colonografia virtual (de cinco em cinco anos).

Risco alto ou aumentado de câncer colorretal

Entretanto, aquelas pessoas que possuem risco alto ou aumentado desse tipo de câncer devem ficar mais atentas para as recomendações.

Portanto, o cuidado é redobrado para aqueles pacientes que possuem familiares que têm ou tiveram câncer de reto ou cólon.

Os médicos devem ficar atentos para informações sobre o histórico familiar e orientar um acompanhamento eficaz. Assim, detalhes como a idade em que o familiar do paciente de alto risco manifestou a doença ajudam no sucesso do diagnóstico.

Afinal, alguns pacientes poderão seguir a recomendação de realização de colonoscopia de forma mais frequente e até mesmo antes dos 45 anos.

Indivíduos que retiraram pólipos e tiveram câncer

Para pacientes que já fizeram alguma remoção de pólipos por meio de colonoscopia, a indicação é fazer o exame novamente depois de três anos. Entretanto, cada caso precisa de avaliação de forma individual e o tempo entre uma colonoscopia e outra varia de acordo com as peculiaridades de cada indivíduo.

Alguns exames também são passados e servem como suporte para o acompanhamento da situação do paciente. É o caso da proctoscopia e do ultrassom para aqueles que fizeram um tipo específico de cirurgia de retirada de câncer de reto.

Para quem já passou por sessões de radioterapia na região da pélvis e do abdômen, é interessante a execução de exames ainda mais cedo. O ideal é que cinco anos depois do tratamento de radioterapia ou aos 30 anos de idade o rastreamento comece.

Outro ponto importante é que esses pacientes precisarão fazer um acompanhamento mais frequente, com exames a cada três anos.

Nesse sentido, quem tem colite ulcerativa ou doença de Crohn também devem redobrar os cuidados e fazer os exames ao menos oito anos após o diagnóstico da enfermidade. Dessa forma, a orientação é a realização das colonoscopias a cada um e três anos, a depender da gravidade da predisposição para o câncer colorretal.

Indivíduos com síndromes genéticas

Para esse grupo de pacientes, a recomendação é que os exames de rastreamento sejam realmente feitos tão logo a síndrome seja descoberta. Dessa forma, é  possível a realização até mesmo durante a adolescência.

Algumas síndromes necessitam de cuidados específicos e exigem a execução de exames mais frequentes. Afinal, o câncer de colón e reto podem não apresentar sintomas aparentes.

Quando os sintomas aparecem, geralmente são:

  • Constipação e diarreia;
  • Sangue ao evacuar;
  • Dor que se aproxima de uma cólica;
  • Inchaço no abdômen e sensação de que não aconteceu o esvaziamento completo do intestino;
  • Perda de peso sem razão aparente;
  • Fadiga e sensação de cansaço.

Lembramos que o sangramento do trato digestivo é um dos sintomas do câncer colorretal. Nesse sentido, as fezes podem parecer na normalidade ou apenas um pouco mais escuras e esse sangue pode não ser percebido de forma mais evidente.

Com as perdas de sangue, o organismo pode desenvolver uma anemia. Um dos marcadores para identificação do câncer colorretal é também uma taxa baixa de glóbulos vermelhos, que é detectada em exames de sangue.

A icterícia pode ser um indicativo de que a doença também atingiu o fígado. Já a falta de ar pode indicar necessidade de investigação nos pulmões do paciente.

Entretanto, lembramos que alguns desses sintomas também estão associados a outros tipos de doenças, tais como hemorroidas, infecções e síndrome do intestino irritável. Dessa forma, eles não são indicativos somente de câncer colorretal.

Em suma, a melhor forma de identificar sintomas de uma doença e fazer quaisquer diagnósticos é consultando um médico especialista. São esses profissionais que terão a expertise necessária para analisar cada caso de forma individual e indicar as melhores recomendações para o rastreamento do câncer colorretal. E você, profissional, precisa se manter atualizado para poder adotar as melhores abordagens. Estar informado salva vidas!