Artigo

O que sabemos sobre o uso de atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão?

São Paulo, 17 de maio de 2021
 

Publicado nos Anais do Congresso Brasileiro de Imunologia On-line, da Revista Multidisciplinar em Saúde, um estudo buscou identificar os efeitos do atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão.

Visto que o câncer de pulmão é uma doença fatal, apresentamos, neste artigo, algumas informações recentes acerca da imunoterapia (via atezolizumabe) para tratar essa doença. Boa leitura!

O câncer de pulmão

O câncer de pulmão é o segundo causador de mortes no mundo, vindo logo após o câncer de pele, que está em primeiro lugar.

O hábito de fumar é apontado como a principal causa do câncer do pulmão, sendo diretamente responsável por mais de 85% dos casos diagnosticados.

Estar em um ambiente onde a fumaça é inalada também terá suas consequências maléficas. A exposição regular à fumaça do cigarro, o chamado fumante passivo, poderá vir a ter as mesmas complicações daqueles que fumam regularmente.

Outros tipos de ocorrências tais como o trabalho ou a exposição continuada ao amianto, histórico de doenças pulmonares como a tuberculose, a poluição das grandes cidades, a idade e a eventual exposição à radiação são fatores que também podem ser considerados de risco para o desenvolvimento do câncer no pulmão.

Diagnóstico

O diagnóstico do câncer do pulmão deve ser feito por um médico pneumologista e vai, necessariamente, passar por exames de imagem, com radiografia do tórax e exames laboratoriais, onde um pequeno pedaço do tumor será analisado via biópsia.

Uma vez diagnosticado, o tratamento do câncer do pulmão poderá variar, dependendo do tipo de paciente, as características de seu câncer e o estágio em que ele se encontra. Entretanto, geralmente, o tratamento é feito através da combinação de cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

Tratamento

O tratamento a ser adotado vai depender também da saúde geral do paciente.

Para cada tipo de tratamento, reações adversas vão ser observadas e vão variar muito, dependendo do paciente que está sendo tratado. Vômitos, diarreia, cansaço, perda de cabelos, náuseas, dores pelo corpo, alterações na pele e perda de peso são alguns dos sintomas que, certamente, quem estiver em tratamento vai sentir.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, em junho de 2019, o atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão em estágio III. O medicamento deve agir como inibidor de anti-PD- L1 associado à quimioterapia baseada em platina.

Os estágios da doença

Como se tem conhecimento, o câncer do pulmão em estágio I é pequeno, localizado apenas no pulmão e podendo ser removido com uma cirurgia. A critério do cirurgião, pode ser feita a retirada de apenas uma parte do órgão, que seria a segmentectomia; a retirada de um lobo inteiro, a lobectomia; ou a retirada de todo o órgão, a pneumonectomia.

No estágio II, é a fase em que o câncer já se espalhou por partes próximas ao tumor ou por partes estratégicas do corpo, atacou e comprometeu os gânglios linfáticos. Nesse caso, a radioterapia é o tratamento mais indicado para esta fase da doença, mas deve estar combinada com a cirurgia, uma das principais formas de tratamento nesta fase.

No estágio III, o câncer está localizado em mais de um lobo do pulmão ou já se encontra nos gânglios linfáticos ou órgãos próximos. Para tratar o câncer de pulmão nesta situação, será necessária a quimioterapia ou a radioterapia, com cirurgia.

No estágio IV, o câncer já se espalhou por todo o corpo e será de difícil tratamento ou cura. Nesta situação, apenas para amenizar os sintomas e diminuir os tumores, o tratamento será feito com quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.

CPNPC

O CPNPC, ou câncer de pulmão de não pequenas células, é um tipo de câncer que pode afetar fumantes ou não fumantes. Apenas no Brasil, chega a atingir mais de cento e cinquenta mil pessoas ao ano.

Comporta-se como carcinomas de células escamosas e adenocarcinoma que são ocorrências que podem acontecer em qualquer parte do corpo. Seu tratamento requer um diagnóstico médico. Ademais, exames laboratoriais e de imagem são sempre necessários.

As células de controle imunológico, através de locais estratégicos, chamados de pontos de verificação, atacam células sadias ou não, na medida em que têm que defender nosso organismo. São nestes pontos de verificação, ou “check points”, que as células cancerígenas se abrigam na tentativa de evitar que sejam atacadas pelas células do controle imunológico.

Atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão

Os medicamentos modernos, grupo do qual o atezolizumabe faz parte, os quais são conhecidos como imunoterápicos, são anticorpos monoclonais e vão agir sobre os check points, ou pontos de controle.

Mais especificamente, eles agem sobre os chamados PD-L1, ligando ou desligando as funções protetoras das células de controle de nosso sistema imunológico e fazendo com que, uma vez ligada ou desligada, nossa defesa comece a agir, eliminando as células cancerígenas.

Os anticorpos monoclonais vão atingir o PD-L1, que são proteínas existentes nas células, tanto as normais quando as de câncer. Algumas células cancerígenas têm uma grande quantidade de PD-L1, possibilitando tornar-se praticamente imunes ao ataque imunológico, que normalmente é produzido pelas células sadias.

Um estudo foi desenvolvido por pesquisadores para se fazer uma análise sobre os efeitos do atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão e sua eficácia como imunoterápico nesse tipo de tratamento.

Foram observados pacientes adultos, um grupo com CPNPC, que tenha se notado um avanço ocorrido localmente ou metastático, após terem passado por procedimento de quimioterapia.

O trabalho consistiu de vários estudos sobre artigos que abordaram o tema, mostrando que a engenharia genética poderá nos levar a outros caminhos, diferentes, mas muito eficientes para a solução dos problemas através da utilização de um anticorpo humanizado.

A conclusão

O resultado veio provar que o atezolizumabe tem efeito benéfico no tratamento do câncer de pulmão de não pequenas células, dando ao paciente a possibilidade de uma sobrevida, sendo o tratamento muito mais eficaz do que apenas a quimioterapia.

Além do tratamento do CPNPC, o atezolizumabe acabou por se mostrar também bastante eficiente no tratamento de outros tipos de câncer, como câncer de bexiga e câncer de pele de células de Merkel.

Além disso, estudos estão sendo desenvolvidos para a aplicação do atezolizumabe em outros tipos de câncer, cujos resultados em breve teremos notícias.

A preocupação dos pesquisadores se concentra também nos tipos de efeitos colaterais que o uso do atezolizumabe no tratamento de câncer de pulmão poderá eventualmente causar, ainda que até o presente momento nenhuma ocorrência grave tenha sido reportada em meio às pesquisas realizadas.